Porque tem eco a angústia de viver, eu grito — esgarço a goela com meus instintos. Porque tem troco a injúria de pensar, eu surto — sangro o papel com meus escritos. O mundo é meu trauma. Minha linguagem é o desespero. Engolindo a mágoa, vomitando o choro, o testamento da palavra é infinito. Nada mais que tudo isso.
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Mostrando postagens de fevereiro, 2024
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Escrevo como escravo, que se doa a quem doer. Letra morta, sobrevivo entre vírgulas, mas entrego os pontos e faço soar minha sílaba. O mundo só é abstrato para quem não conhece o seu vocabulário. Pseudointelectual pernóstico: sou, se pareço ser. Sei tanto dos estúpidos, que posso escrever uma autobiografia. Risco, mas não me arrisco, e apago. Entre analfabetos e letrados, antigramaticamente supremo, grito, grafo, grifo, gravo, escorro, escarro o nó salivar do fracasso, conjugo versos, confesso verbos, invento o que não posso explicar (minhas verdades e outras criações). Deprimente: não deixe de ler. Gota que finge oceano, sou feito de restos esquecidos, pedaços perdidos, sobras do destino, entulhos mentais. Em delírio filosofante, desalmei-me em vida. Distribuo misérias, escândalos e ruínas. Mendigo uma porção de espírito quando me negam um naco de carne. Intolerância é minha etiqueta. Só esqueço do que não sei. Espelho velho — me jacto, me vanglorio, me idol...